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30 de março de 2014

O Brasil e o Baixo Crescimento Econômico para 2014

       Por Marcos Vinícius Anjos – vinicius.anjos@uol.com.br

A economia brasileira neste início de 2014 não tem legado dados animadores, as expectativas de crescimento estão derretendo a cada dia, somadas a tendência, já irrefutável, de desvalorização do real e suas consequências cambiais para o país, a ameaça inflacionária, que não descola do centro da meta, exigindo vigilância constante do governo nem sempre eficiente, e outros indicadores igualmente pessimistas, trazem grandes incógnitas e dilemas que tem arrefecido o ímpeto empresarial e o investimento.

Levantamento feito pelo Instituto Economist Intelligence Unit (EIU), aponta o baixo crescimento estimado para 2014, como responsável pelas projeções de queda no PIB nominal do país (em U$$). Tal situação, inevitavelmente, reposicionaria a colocação do Brasil em meio às economias de maior expressão no mundo atualmente. Da meteórica sexta posição, tão festejada em 2012, deve-se amargar o incômodo nono lugar.

Evolução do PIB (em dólar) das nove maiores economias do Mundo

Países

2012

Classif. 2012

2013

Classif. 2013

2014*

Classif. 2014

Estados Unidos

16,24

16,80

17,59

China

8,38

9,78

10,51

Japão

5,93

4,90

4,78

Alemanha

3,46

3,62

3,59

França

2,61

2,73

2,72

Grã-Bretanha

2,48

2,53

2,75

Rússia

2,02

2,14

2,24

Índia

1,83

1,93

2,15

Brasil

2,24

2,20

2,09

* Estimativas da Economist Intelligence Unit (EIU) em US$ trilhões

 O Economist Intelligence Unit (EIU), Instituto associada à revista The Economist, insinua que o Brasil poderá acabar o ano de 2014 atrás da Índia e Rússia, perdendo terreno inclusive no Brics.  Segundo o Instituto EIU, o pífio crescimento do PIB esperado para 2014, de apenas 1,7% será influenciado pelo baixo crescimento da economia, queda nas exportações e aumento das importações, além de acentuada desvalorização na moeda brasileira.

A partir do câmbio de R$ 2,44 por U$$ 1,00, tomado como referência, o mesmo critério adotado pelo Governo para projetar o Orçamento de 2014, chegou-se a uma estimativa de redução no PIB de cerca de 100 bilhões de dólares, passando de 2,2 para 2,1 trilhões em 2014.

Já está bastante claro que o Brasil, assim como os outros países chamados emergentes, usufruiu de uma janela capitalista de nítida mudança no padrão mundial de geração e acumulação de riquezas, concentrada na primeira década dos anos 2000 e seu entorno. Investidores assustados com os movimentos dos Estados mais desenvolvidos e das principais corporações, no final dos anos noventa, reorientaram seus investimentos para se afastarem das turbulências que já se avizinhavam nos EUA e na Europa, tratamos com mais profundidade desse assunto aqui e aqui. 

Alguns dos países do Brics, aparentemente mais conscientes, aproveitaram esse momento para consolidar suas economias, aumentar o investimento em infraestrutura, indústrias de bens de produção, desenvolvimento urbano, etc., foi o caso da Rússia, China, Coreia e, apesar das dificuldades, da Índia, dentre outros como Singapura e Austrália, mas não foi o do Brasil, que continuou com as mesmas debilidades estruturais, deficiências aeroportuárias, de armazenagem e transportes de carga, além da insistência em um modelo de crescimento sustentado majoritariamente na expansão do consumo e crédito.

Com novas mudanças no panorama mundial, ou melhor; como o pior momento da crise enfrentada desde 2008 parece já ter se dissipado, mesmo sob o rescaldo de economias mais debilitadas na Europa, os investidores começam a reorientar seus investimentos, agora muito mais estimulados por um processo concorrencial orientado pela alta produtividade, pelos baixos custos de produção, estabilidade e segurança econômica, ou seja, embora a crise persista, há uma tentativa flagrante de adaptabilidade e de intensificação do capital fixo em territórios, antes mais ameaçados pela crise econômica internacional.

Nesses quesitos o Brasil não tem grandes vantagens, acostumado a consumir recursos naturais e explorar mão de obra barata, não desenvolveu, na maioria dos setores, relações de competitividade que potencializasse o alcance de seus recursos. Apenas a título de exemplo, hoje, são gastos praticamente dois e meio quilos de soja no transporte, para cada um exportado.

Apesar de ainda posicionado entre as dez maiores economias do mundo, já não despertará tanta atenção, podendo afugentar muito Investimento Estrangeiro Direto (IED) ao longo dos próximos anos.

A perda de confiança do investidor e a nítida dificuldade do Governo em reagir, têm se refletido na desvalorização do Real ao longo de 2013, de 12,8% em relação ao Dólar.  A Índia e a Rússia também tiveram forte desvalorização de suas moedas em relação ao Dólar, o Rublo 15,4% e a Rúpia 11,6%, porém, para EIU estes países apresentam perspectiva de crescimento do PIB muito maior que a do Brasil, a Índia de 6% e a Rússia de 2,8% para 2014.

A diminuição dos incentivos, até pouco tempo administrados pelo FED - Federal Reserve, Banco Central dos EUA, à sua economia interna, vêm provocando uma variação cambial que torna o Dólar ainda mais competitivo em relação a outras moedas, provocando a necessidade de mudanças internas nas economias dos outros países.

Ao longo dos anos de intensa participação no mercado mundial de commodities, entre 2002 e 2012, o Brasil não criou as bases necessárias para sustentação do crescimento econômico, não desenvolveu a contento seu mercado interno, não superou suas limitações infraestruturais, não fez as grandes reformas do Estado e não virou a página da dependência de sustentação do crescimento pelo consumo, financiado através do crédito, ante a possibilidade de buscar a sustentação para crescimento através do investimento, como o fizeram outras economias emergentes.

Esse é um momento de ajustes, o mercado de commodities, antes oxigenado com os movimentos internos da China, está se modificando rapidamente, outros atores estimulados entraram na cena, com tecnologias e logísticas mais eficientes, dilatando a oferta e desequilibrando a relação de preços. Nesse contexto, o Brasil pode perder muito espaço no mercado internacional.

No mundo desenvolvido o Japão também sofreu forte desvalorização de sua moeda em 2013 (15,8%) em relação ao Dólar e apresenta, segundo a EIU a mesma expectativa de crescimento que o Brasil, de 1,7%, mas, deve-se considerar que o Japão não possui divida interna, têm elevada poupança, ativos, teologias e participação no mercado internacional muito superior ao Brasil, portanto a comparação deve ser relativizada. Outros países também com indicativo de baixo crescimento são a França (0,8%) e a Alemanha (1,4%), mesmo sendo países desenvolvidos, com condição muito diferenciada a do Brasil, ainda estão imersos na crise econômica da Europa, sofrendo os percalços do modelo de integração econômica que foi adotado.